Sylvinha surgiu no cenário nacional junto com o pessoal da Jovem Guarda e, durante algum tempo, foi considerada a Rita Pavone brasileira. Cantora desde pequena, em Mariana, Minas Gerais, deixou sua cidade natal para brilhar, já aos 14 anos, nos palcos da TV Excelsior. No ano seguinte passou a cantar no programa de Eduardo Araújo, “O Bom”, que em pouco tempo deixou de ser colega de trabalho e tornou-se seu marido.

Depois de alguns anos afastada dos palcos, Sylvinha começou a fazer algumas vocalizações e backing vocals em jingles e discos, mas sem maiores pretensões, até que certo dia, em 1978, a cantora que deveria gravar uma peça faltou. Sylvinha foi chamada e arrasou. A partir de então passou a ser uma das cantoras mais requisitadas para a gravação de jingles.


Durante mais de 20 anos tornou-se uma estrela dentro dos estúdios e certamente a voz mais ouvida no Brasil em campanhas para Mc Donald’s, Coca-Cola, Unibanco, Varig, entre milhares de outras. É só pensar em uma campanha de um grande anunciante que a voz da Sylvinha estará lá.

Seu efeito shake era inconfundível. O que ela fazia com a voz era inacreditável. Não é a toa que Sylvinha chegou a gravar seis jingles diferentes por dia.

Eu a conheci em junho de 1993, na extinta produtora Cardan, e acompanhei diversas gravações suas. Ela era realmente incrível. Pegava uma música inteiramente nova, com uma letra dificílima, e em 5 minutos estava dentro do estúdio gravando com um profissionalismo e uma afinação de quem conhece a melodia há anos.

Nesse período, Sylvinha participava do 4 x 4, um conjunto vocal criado pelo genial Edgard Gianullo, e que contava ainda com Ângela Márcia e Faud Salomão, todos cantores de jingles. Quando os quatro se juntavam era sensacional. Além dos clássicos da música brasileira e internacional o quarteto gravou incontáveis jingles, para campanhas como Credicard, fermento Royal, gelatina Royal entre vários outros.

No final da década de 1990, Sylvinha se afastou da publicidade e passou a se dedicar, junto com o marido Eduardo, à sua gravadora, a Number One, que em 2001 lançou seu CD, Suave é a Noite, repleto de músicas românticas e participações especiais. Em seus últimos anos, fez diversos shows divulgando seu disco e homenageando os 40 anos de Jovem Guarda. Sylvinha faleceu em 25 de junho de 2008.

Fábio Dias